Republicando
Amo
Vivo a vida porque amo, Amo incondicionalmente(!) Amo fim de tarde na praia Amo música suave bisbilhotando meu ouvido.
Amo brisa que sopra e leva meus cabelos Amo o mar, cristalino e calmo. Amo manhãs de outono e folhas caídas no chão Amo domingo chuvoso, pra ler e ficar com meu amor.
Amo o cachorro que, com amor, lambe minha bochecha Amo a solidão: as vezes é preciso!
Amo a hora de deitar, o dormir, silencioso Amo os raios de sol me chamando pro batente Amo!
Escrito por Acácia às 17h18
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
angústia do amanhã
a angústia corrói o corpo - inteiriço!
a dor que se propaga pelas veias do amanhã...
o hoje é o nada,
o depois a esperança.
vivo das imagens que construo
dos sonhos que não vivo
das verdades descabidas
da vida estranhamente vivida.
passo dias e dias inteiros pensando;
a mente adoece, as idéias se embaralham,
pareço desfalecer.
gente que não me entende
repudio
gente que enche
vazio...
ó angústia que faz enlouquecer...
melhor que mate
para que não se possa mais sofrer.
cadê o sonho?
que alegra
alívia
liberta
...
Escrito por Acácia às 19h17
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
La media
TV digital, em tese, pra todo mundo. Só com isso me pergunto: pra quê? Propagandas e propagandas sobre a nova modalidade de transmissão é o que se vê nas emissoras de televisão. Com o devido apoio do governo, é claro, a mídia televisiva, mais forte no Brasil, conseguiu alcançar mais um degrau. Mas o que me assusta de verdade nisso tudo é a gama de pessoas que esse benefício realmente irá atingir. Eles proclamam, obviamente, que tal melhoria é para todos. Será? O governo patrocinando tal idéia está até de certa forma correto, afinal acompanhar a modernização do mundo faz parte para o desenvolvimento do país. Contudo, como sempre, esquecem-se de dar mais interesse e de propagar coisas mais básicas ao que pode realmente levar ao fim pretendido. Deve-se saber que para captar o sinal de transmissão digital não basta apenas ligar uma televisão comum. Precisa-se de uma antena receptora e, para bem entender as vantagens do negócio, uma televisão digital. Ora, será que isso tudo não custa dinheiro? Quando assisti à notícia que tratava sobre o assunto me interessei pela reportagem de rua que fizeram. A maioria das pessoas entrevistadas era de aparência humilde que a muito custo poderia se aparelhar para curtir os deleites de uma recepção digital. Não duvido, porém, que não o farão. Impulsionadas pelas promessas de que a novela das oito ficará ainda mais irresistível, elas, sim, o farão. E por trás disso vê-se claramente dois cifrões. Não que lucrar seja uma má coisa, mas uma emissora de TV e um governo deveriam pensar em lucrar socialmente - se é que vocês me entendem...O mais engraçado é que estamos, nada mais nada menos, em ano eleitoral. Será alguma coincidência? Enfim, fato é que as pessoas mais humildes se descabelarão para se aparelharem devidamente, procederão a mais e mais crediários para tanto, enquanto os juros ainda estão relativamente praticáveis, até estes subirem - já que é a tendência diante da atual crise dos alimentos -, quando então provocarão uma enorme bagunça em suas vidas. E tudo isso porque planos mais importantes vão sendo deixados de lado, em prol da política, do poder. Recuso-me a contribuir com besteiras, estou satisfeita com minha televisão 19 polegadas, tela normal, analógica. Enquanto isso os ricos se aparelham até os dentes para fazer de suas casas verdadeiros cinemas e os pobres se endividam tentando fazer as vezes de rico. E os políticos roubalheiros de hoje garantem a fortuna do amanhã.
Escrito por Acácia às 21h21
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Paz + Progresso?
Um dos temas em voga atualmente é aquele que fala sobre a possibilidade das nações viverem em paz entre si e ao mesmo tempo prosperarem. Certo que impedir o progresso é impossível, e que a violência só faz aumentar, muito se discute sobre alternativas de coincidir essas duas ações; a criação da União Européia está sendo uma tentativa de concretização dessas alternativas.
Desde a Antiguidade até os dias de hoje, os povos lutam pelo progresso de suas nações, quase sempre em detrimento de outras. Exemplos como o Império Romano, a “era Hitler”, o incessante crescimento dos Estados Unidos e, mais atualmente, a China, ratificam tal afirmação.
Progresso e paz são dois conceitos fundamentais para se pensar no desenvolvimento da humanidade como um todo. Entretanto, são conceitos que, ao tentarem ser concretizados, acabam por se excluírem mutuamente. Ao pensar num país próspero, com pleno emprego, lucrativo etc., imediatamente deve-se ter em vista o lado oposto, que, por sua vez, perde a fim de “deixar” o outro ganhar. O próprio conceito do capitalismo tem embutido essa noção de exploração da mão-de-obra pelo empresário, com a finalidade de, ao retribuir os trabalhadores pelo esforço, obter lucro em cima dessa diferença, a conhecida mais-valia. Aí se tem claro que a mão-de-obra explorada, aqueles que “pegam na massa” são os que têm prejuízo para que o outro dominante possa ter lucro.
Sem dúvida essa necessidade de progresso baseia-se num fator inerente da natureza que é a existência de contrastes, e que o ser humano, que é um ser racional, acabou desenvolvendo esse conceito para um plano além do instintivo. Assim, ao analisar a vida humana, pode-se perceber que os contrastes encontram-se presentes em cada momento: para que se sinta amor, temos que ter a noção do ódio; para que haja o rico, precisa-se da noção do pobre; para que haja o lucro, necessário se faz ter aquele que tem prejuízo; e para que se tenha a paz mundial, é preciso que não haja contraste algum.
O contraste traz a revolta da parte que sofre prejuízo, e isso, por conseguinte, abala a noção de paz, gerando conflitos. Como a busca pelo progresso sempre existiu na vida humana e sempre existirá, a menos que todos no mundo tomem muita consciência, acaba-se por construir então um ciclo infinito entre momentos de progresso e relativa paz – momentos de guerra e retrocesso.
Dessa forma, a busca pelo progresso e, ao mesmo tempo, pela paz mundial torna-se uma realidade quase impossível de ser concretizada, embora a tentativa, claro, seja sempre válida.
Escrito por Acácia às 16h18
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
No Limite
A minha frase de praxe, de uns tempos pra cá, tem sido a de que eu não me importaria tanto se o mundo acabasse amanhã. As pessoas se espantam quando escutam isso saindo da minha boca, ficam perguntando se eu estou deprimida, se está tudo bem na minha vida. Eu, já acostumada com tal situação, começo a rir. Tudo bem que é da minha natureza ser radical, mas, ao dizer isso, quero MESMO demonstrar radicalismo. Nada poderia estar melhor na minha vida, finalmente as conquistas pelas quais tanto batalhei estão se tornando realidade, minha família está ótima, todo mundo com saúde, sem maiores problemas graves, enfim, tudo está caminhando dentro da boa normalidade. Mas o que de fato me leva a ter esse discurso é a situação real e mundial em que vivemos atualmente. Sou uma pessoa extremamente enérgica, gosto de fazer mil coisas ao mesmo tempo, nunca fui acomodada, odeio limitações fora do necessário para se viver em sociedade, atiça-me os nervos ver bandidos tirando proveito de outros por terem uma arma na mão em troca de poucos reais, acho isso uma brutal covardia, fruto do tempo que nós, jovens de hoje, somos crias. Ao falar em Brasil, o discurso se alonga bastante: vivemos aqui uma vida tão cheia de limites, de problemas graves, que só perceberemos realmente dentro de alguns anos, e que, como foi aumentando aos poucos, muitos não se deram conta, e acabaram, como bons brasileiros que são, acostumando-se com a nova situação que foi se impondo lentamente. Temos horários para tudo, temos roteiros onde podemos ir ou não, temos que andar enfurnados dentro de carros com os vidros fechados, sendo obrigados a ligar o ar condicionado mesmo num dia fresco quando estamos loucos para sentir o vento no rosto. Tudo bem, tem algumas pessoas que ainda se aventuram, tem também momentos em que a situação não é tão limitante assim, embora tais momentos estejam ficando cada vez mais raros. Fico impressionada com a posição dos jovens em relação a isso tudo, a maioria não está nem aí, prefere não esquentar a “mufa” pensando em problemas graves, vai ver porque já encontram muitos dentro de casa, já que a instituição família também está se desmoronando nesses últimos tempos. Exemplos não faltam para justificar o que aqui digo, basta freqüentar certos lugares da Zona Sul do Rio de Janeiro, onde pitboys usam e abusam dos seus poderes que aquele mundinho de praia – Lapa lhes proporciona. Mas, os problemas não se encontram apenas no plano social, se você pensa em viajar para outras cidades no Brasil tem o problema do apagão aéreo, se pensa em ir para o exterior tem o problema de ataques terroristas; por fim restou apenas a velha Região dos Lagos, que, já ia me esquecendo, foi invadida pelos já mencionados “donos do pedaço” pitboys. É, a coisa tá esquisita mesmo. O caos está por vir, em todos os sentidos, seja socialmente falando, seja economicamente, seja por questões ambientais, as quais, inclusive, esqueci de mencionar; ah, e tem também a questão do ensino que está cada vez mais degradado, já me vi em situações em que tive que implorar para ter aula, e não era universidade pública não, era particular mesmo, todos querendo encurtar o período letivo para aproveitar o bendito Pan (demônio, como andam dizendo por aí). Tá tudo errado, inversão de valores e de necessidades. Já ouvi dizer que, com esses eventos, tenta-se revigorar a auto-estima do povo carioca, que, desde a mudança da capital para Brasília, entrou em declínio total. Na minha opinião, o Pan, shows na praia e demais eventos jamais vão fazer com que a auto-estima de um povo melhore, se não houver uma educação adequada, uma relativa segurança (já que plena segurança, diante das condições, é pedir demais), uma conscientização, melhoria da qualidade de vida, tirar o povo da favela, construir transportes decentes para poderem ir trabalhar com dignidade etc. Isso sim é uma maneira de retomar auto-estima, e não com eventos aqui e acolá. De repente com o dinheiro que se gastou no Pan daria para fazer quase tudo isso! Bem, diante das circunstâncias me pergunto: viver assim, e com perspectivas de piorar, seria melhor do que se o mundo acabasse amanhã naturalmente? Pode ser radical a opção, mas não vejo muito além disso. Dizem ainda as “más línguas” que a vida do futuro não vai ser muito bem como se espera. Com o aumento da população vai faltar comida e água, vai aumentar a miséria e a desigualdade social, com isso aumentam também as guerras, e o pior é que tais guerras não terão como objetivo maior a busca de mais poder, ou coisa parecida, mas a busca por algo necessário à sobrevivência, mexendo com o instinto do ser humano, o que é pior. Dizem que não vamos poder nem mesmo ter cabelo, ou seja, seremos todos carecas, para que não se use água além do estrito necessário, o banho será apenas uma vez por semana, poucos copos de água para beber por dia. Tudo será contido. Até para ter filhos hoje em dia deve-se sopesar, afinal é natural que os pais queiram um mundo melhor para seus descendentes. É complicado, tem gente que não liga ao ouvir isso, acha que é exagero, que é loucura viver pensando no futuro. Mas é justamente devido a essa vida imediatista e despreocupada de planejamento que chegamos ao ponto em que estamos. Mesmo assim, mesmo com tanta pesquisa comprovando essa situação, vejo pouco a ser feito, e o mesmo comodismo paira no ar, dessa vez não só do brasileiro, claro, mas da população mundial. Poucas são as nações que realmente estão se conscientizando. São interesses políticos que não condizem com as ações ambientais, é a ganância que destrói o homem por querer ter a sua nação como a mais próspera, esquecendo-se de que de nada adianta ter um país em pleno desenvolvimento, se o mundo, por isso, acaba caminhando para o fim. Agora vocês têm como me entender. Não quero viver assim, tentem imaginar a tristeza, a infelicidade que esse futuro pode vir a ser, se agora já está ruim. Por isso que sou radical; claro que não gostaria que a minha vida acabasse agora que está indo tão bem, mas viver um futuro assim também não é legal...
Escrito por Acácia às 21h27
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Advogados
Antes de começar propriamente, deixo claro que de longe quero defender um grupo generalizado, mas sim a essência de uma arte que, embora vulgarizada, deve ser preservada, não só por ser necessária, mas porque, se fosse praticada com a devida ética, iria fazer muita gente aplaudir de pé.
Exponho desde já uma declaração de revolta de um professor – que nada tem a ver com o ramo –, que muito admiro, mas que me deixou intrigada, já que tocou numa das minhas paixões que é o Direito. Disse ele não suportar advogados, disse que para ser bom deve-se saber mentir muito bem e, ainda, que não entende como alguém pode defender outrem, quando se tem claro que este realmente é que é o culpado. Eu discordo.
É importante lembrar que o trabalho de um advogado, antes de qualquer ato de acusação ou de defesa, é buscar a justiça que lhe convém mais adequada ao caso concreto. Não necessariamente essa justiça será a busca pela inocência, mas a busca por convencer o juiz que a pena a ser aplicada deve ser outra que aquela pedida pela acusação; isso sim é fazer justiça, ou melhor, buscar pela justiça. Confunde-se muito o fato de um advogado tentar fazer um bom trabalho, usando de artifícios da lei, algumas vezes defendendo alguém de notória culpabilidade, com o fato daquele que realmente burla a lei. Quantas vezes as pessoas ficam “malhando” o advogado, achando que o sujeito é canalha e sem escrúpulos por estar do lado de um assassino. O que, no entanto, não se enxerga é que ali ele não está agindo pela emoção, o advogado não está ali como pessoa na sua essência, ele não está ali “do lado” do acusado, mas está cumprindo o seu dever, ainda que haja algum interesse profissional de fazer sucesso ao defender um caso divulgado pela mídia. As pessoas acham que quem matou deve logo morrer também; sei que é difícil pensar diferente no mundo de hoje, se quem foi morto era um ente querido, e com esses inúmeros casos de corrupção que nos deixam cada vez mais descrentes de uma lei, mas é imprescindível existir alguém que esteja do outro lado, imparcialmente, e, ainda, é preciso acreditar que existem pessoas de princípios que fazem diferente, do contrário as profissões se desmoralizarão de fato como um todo e, se chegar a esse ponto, já era sociedade. O brasileiro tem mania de falar mal das coisas sem analisar com mais profundidade o caso em si, ou até mesmo ficar calado se conformando com alguns casos que a mídia usa de forma generalizada, sem criticá-los e tomando-os como verdades absolutas, contribuindo para a desmoralização de instituições importantes para a sociedade, afinal quem cala consente.
Voltando ao ponto, a Constituição Federal garante a qualquer um o contraditório e a ampla defesa e, mais, garante que TODOS são inocentes antes do trânsito em julgado de sentença penal condenatória, ou seja, por mais absurda que seja a situação, o réu tem pleno direito de provar o contrário ou, ao menos, de tentar buscar por uma punição mais justa. Deve-se esclarecer que a pena mais justa nem sempre diz respeito ao ditado “pagar com a mesma moeda”, sendo certo que devem ser analisadas inúmeras circunstâncias que ajudaram para a ocorrência do caso. As duas partes têm direto comum de buscarem pelo que acreditam, basta o juiz decidir o que é realmente justo.
Se não houvesse advogados competentes para estarem ao lado dos acusados, se tivesse que punir sempre que se achasse óbvia a culpabilidade do sujeito, voltaríamos à época da Roma Antiga, à lei de Talião: “olho por olho, dente por dente”.
No mais, profissionais equivocados, incompetentes, desonestos existem em qualquer ramo. Quem já não passou pela situação de ir ao médico devido a uma simples dor de garganta e se viu entupido de tantos remédios para tomar, e, muitas vezes, absurdamente caros? Afinal, médicos também necessitam fazer seus lobbies.
Escrito por Acácia às 17h26
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
SIMPLICIDADE
Posso dizer que já visitei alguns lugares nesse mundo
Já estive junto de gente importante, gente bonita, gente chique e famosa
Já participei de festas pomposas, de jantares caros, de coquetéis com veuve cliquot
Era convidada para os eventos mais importantes do mundo
Pude comprar roupas em lojas desejadas por muitas pessoas
Algumas vezes fiquei hospedada em hotéis caros, de frente para o oceano, no topo de uma ribanceira, com uma vista paradisíaca
Freqüentava restaurantes e raras eram as vezes em que eu tinha de pagar a conta
Chegava na porta das melhores boates do mundo, com filas imensas na porta, e era só dar um estalo de dedo que os seguranças me deixavam entrar com os amigos
Era fácil conseguir convites para os melhores eventos em cima da hora, bastava um telefonema
Romances de cinema, já tive oportunidades de viver alguns
O transporte aéreo era rotina
Um dia em Paris, outro em Londres e outro em Nova Iorque
Chegava no aeroporto e tinha motorista à minha espera
Já andei de Jaguar – último modelo – conduzido por motoristas com quepe, luvas brancas e tudo o mais que tinha direito
Passava as férias em Ibiza ou nos Alpes Suíços
Os amigos transbordavam que nem água em dia de temporal
O telefone tocava a cada 30 minutos...
No entanto, abri mão de tudo isso porque descobri que apesar de todo luxo existia um vazio naquilo tudo, e fui descobrindo que na vida nada há de melhor do que o gosto da simplicidade, a paz de ter a família ao lado, o sorriso ou o choro do seu verdadeiro amigo – único que seja – te dando um abraço, a tranqüilidade de acordar num domingo de sol e calçar apenas um chinelo e ir caminhar na praia, pegar o metrô numa segunda-feira chuvosa e compartilhar momentos simples do dia-a-dia com pessoas “normais”, dançar um samba num boteco do lado de casa bebendo cerveja na latinha, dar “bom dia” sempre para as mesmas pessoas...; enfim, coisas simples, que poucas pessoas dão valor, mas que são essenciais para uma vida rica...não de dinheiro, mas de verdade, honestidade, espírito, sentimento, amor!
Escrito por Acácia às 09h46
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Quem você convidaria para um chopp?
Ouve-se por aí que está difícil de se encontrar pessoas interessantes. Já compartilhei dessa opinião, entretanto, a partir de hoje, cheguei à conclusão que não o faço mais. De pessoas interessantes o mundo está cheio, não tenho dúvidas, o problema é a gente querer enxergar e se deixar conhecer. Quantas vezes me vi em situações em que eu admirava tanto uma pessoa, mas ela se encontrava ou se colocava numa posição tão distante em relação a mim que era, simplesmente, impossível me aproximar para uma conversa.
Seja o amigo do amigo, o vizinho da esquina, o professor, o avô da sua amiga, ou mesmo uma pessoa que você achou interessante no ponto de ônibus, afinal, qualquer pessoa encontra-se hoje cercada por uma barreira difícil de ser ultrapassada. Com a modernidade, perdeu-se a espontaneidade, a verdade, a vontade por si só. Hoje em dia só se conhece alguém se a pessoa for apresentada a você, ou porque você está bêbado numa micareta e sai beijando um monte de gente e ACHA que está conhecendo todo mundo ou, na verdade, não está nem aí se passa a conhecer ou não as pessoas que beija. Superficialidade. Essa é a palavra chave para definir as relações humanas dos últimos tempos.
Se você conhece alguém e deseja se aprofundar mais no assunto, quer em relações amorosas, quer em amizade, a pessoa já te acha invasiva, apressada, dada e logo correm para longe de você. Para estreitar uma relação pessoal atualmente é preciso muito cuidado, muitos “dedos”, se é que vocês me entendem; você tem de se mostrar muito aos poucos para que a pessoa não se assuste já achando que você é carente ou coisa parecida.
Sou apaixonada pelas pessoas, pelos diversos tipos de ver e viver e adoro conversar e ficar sabendo sobre o outro e trocar conhecimentos, isso é simplesmente delicioso, mas não para ser feito apenas com quem lhe é imposto, e sim com quem você acha que realmente seria agradável a troca de informações.
Conheço algumas pessoas que não ligam muito para essas regras sociais, e falam mesmo e perguntam mesmo. Gostaria de ser assim, quem sabe não seria mais fácil achar pessoas interessantes e não apenas ficar idealizando-as. Gostaria de conseguir quebrar a minha barreira e chamar quem me desse na telha para tomar um chopp no sábado à noite, sem preocupações sobre o que pensariam no dia seguinte. Agindo dessa forma eu seria eu de verdade.
Mas o fato é que as pessoas estão se isolando cada vez mais em seus pequenos mundos de convívio, e sair dali para desbravar o desconhecido, o novo se torna perigoso como se fosse jogar-se num abismo. A desconfiança tomou partido tão forte nesses últimos tempos que já não se considera um amigo de faculdade um VERDADEIRO amigo, mas apenas amigos de infância que você já conhece há 20 anos. Por quê? Por que não posso conhecer alguém na padaria e esse alguém se tornar meu fiel escudeiro? Já vem logo alguém para desacreditar o novo conhecido. Ô hipocrisia...
Escrito por Acácia às 13h16
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Globalização e as relações de trabalho
Já dizia um filósofo britânico – John Gray – que o homem é capaz de desenvolver inúmeras tecnologias, inúmeros remédios e vacinas a fim de retardar o fim da vida etc.; mas, no entanto, ele é incapaz de evoluir como ser humano propriamente dito.
A globalização trouxe, sem dúvida, avanços consideráveis para toda a humanidade, entretanto junto com as ondas positivas, vieram também as negativas. É como se fosse uma corrida incessante para ver quem pode mais, e, com isso, chega-se a uma exaustiva batalha sem fim. Reflexo disso pode ser visto hoje em dia nas relações de trabalho, a nível mundial. A cobrança para se produzir cada vez mais em tempos cada vez mais reduzidos faz com que muitas autoridades nas empresas cobrem tanto de seus empregados que, por sua vez, vêem-se incapazes de satisfazer tamanhas exigências e, com isso, são, muitas vezes, humilhados e postos para escanteio, caracterizando o que hoje muito se discute nos tribunais do trabalho: assédio moral.
Dessa forma, pode-se observar que o homem, apesar de inventar e criar diversos artifícios, com o fim de alcançar o desenvolvimento pleno, acaba por destruir relações importantes no contexto social que podem inclusive por a baixo tudo o que fora construído. Haja vista os inúmeros processos contra empregadores, reclamando grandes quantias a título de dano moral e material, na Justiça Trabalhista, que podem em muitos casos ameaçar a vida econômica da empresa.
Escrito por Acácia às 21h58
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Anestesiando
Mais uma característica para o brasileiro: povo anestesiado. Ontem presenciei uma cena forte e chocante. É muito diferente quando ouvimos no rádio, lemos no jornal, vimos na TV. Quando saía do curso, no centro da cidade do Rio de Janeiro, por volta das 5h da tarde, corria para pegar o metrô, cansada de um dia cheio de estudos, repentinamente escutei um barulho seco. Quem mora no Rio de Janeiro já está habituado a ouvir tal barulho. Tempos atrás isso ocorreria mais à noite, ou até durante o dia, embora fosse mais esporadicamente. No entanto, atualmente episódios como este passaram a fazer parte do dia-a-dia carioca. Se não é na favela ou nas suas proximidades, é na porta do metrô, na porta da escola, no banco, ou seja, em qualquer lugar, a qualquer hora. Ontem foi no burburinho do centro econômico e comercial da cidade, em frente ao consulado Americano que, com toda aquela imponência, ficou pequeno diante da situação que se instaurou. Um senhor de seus 57 anos saía de um banco quando foi abordado por dois assaltantes que ao sentirem que teriam sua ação de roubo frustrada atirou à queima roupa no pobre homem que acabava mais um dia de trabalho. Eu estava ali, presenciei tudo, e entrei em pânico quando vi aquele monte de pessoas correndo e assustadas que se abrigavam nas lojas com medo de serem atingidas. A minha primeira reação foi me agachar, eu ia me jogar no chão quando então senti que a situação tinha se estabilizado. Foi tudo uma questão de minutos. Os bandidos apavorados tentando se salvar do desastre que provocaram, acabaram por deixar uma arma cair no chão e então foram surpreendidos com um terceiro que, por ter experiência – era ex-policial civil –, se apossou do revólver e disparou contra o assaltante para que ele não fugisse. Nesse tempo, o coitado do senhor já estava no chão cheio de sangue nas costas. A vida de tudo virou nada. Fiquei sem sentir as pernas por alguns minutos, olhava paro o lado e nada mais fazia sentido, parecia que o senhor que acabara de perder a vida de uma forma extremamente estúpida era meu pai. Assim que percebi que a vida ia prosseguir, voltei a caminhar para o metrô, mas resolvi fazer caminho diverso do que faço diariamente, a fim de não passar pelo local do crime. Sentia um vazio tremendo no peito. Poderia ser eu que estava ali, poderia ser mesmo o meu pai ou a minha mãe. Pensava na família daquele senhor quando fosse receber a notícia. Que desastre! Tudo vira banal numa hora dessas: combinar um chope na sexta à noite fica sem sentido, ir ao shopping comprar novas roupas parece tão vazio, rir ficou sem graça. Cheguei em casa e desabei no choro, não só por causa do homem que perdera a vida ridiculamente, mas por causa de toda a situação em que vivemos no Brasil. Tem-se medo de sair de casa, de andar um pouco mais bem arrumado, com um carro melhor, com um pouco mais de dinheiro no bolso. É muito triste mesmo, e o povo parece que já se acostumou. Que o ser humano é capaz de se acostumar com qualquer situação não tenho dúvidas, mas esse é o tipo de situação com a qual não se deve acostumar jamais. É desumano, foge da noção de sociedade e de vida. Mas essa é a realidade, as pessoas não se espantam mais, vêem o fato como se fosse mais um episódio. Estamos recebendo doses fortes de anestésico. A cada crime que acontece é mais um empurrãozinho na seringa que se dá no coração do brasileiro, inserindo nele mais um pouco de anestesia. O primeiro contato é de repulsa, de dor, depois vai aliviando e tudo volta a ficar bem de novo. É esse o estado de vida do povo do Brasil. Como já dizia Darcy Ribeiro: “Seu desígnio histórico é entrar no sistema, o que sendo impraticável, os situa na condição de classe intrinsecamente oprimida, cuja luta terá de ser a de romper com a estrutura de classes. Desfazer a sociedade para refazê-la”. Infelizmente, ainda nos encontramos no processo de desfazimento.
Escrito por Acácia às 07h49
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Religião às avessas!
Minha avó fica horrorizada quando eu digo a ela que religião não está com nada, que a crença maior devia ser num bem geral, num amor incondicional, na honestidade etc. Tento convencê-la de diversas formas, mas é difícil, até porque era outra época, outra criação, época em que a informação era menos fácil. Hoje em dia, quem se interessa, um pouco que seja, pela informação, quem lê sobre diversos assuntos, acaba por desacreditar bastante numa forma de religião única e certa para se alcançar o “paraíso”. Li algumas partes da Bíblia, li sobre a história dos Judeus, assisti a diversas entrevistas sobre os muçulmanos, li alguns livros sobre o islamismo, assustei-me com o poder que igrejas emergentes vêm exercendo sobre novos fiéis e, afinal, acredito não haver qualquer religião capaz de levar alguém a uma vida eterna, senão a própria pessoa.
Minha tese de monografia tratava sobre a publicidade e a sua influência sobre as pessoas no que tange à necessidade incessante de viver num mundo dos sonhos, mesmo que por um minuto. Muito do vazio que se infiltrou no ser humano do século XX e XXI surgiu devido às inovações tecnológicas, mais propriamente devido à Revolução Industrial, que criou uma nova forma de produção e conseqüentemente de consumo. Assim surgiu a publicidade, sendo certo que esta foi um dos produtos e também um dos fatores dessa operação. A modernização dos centros urbanos enfraqueceu a idéia antiga de cidade pequena com suas crenças e superstições, e a propaganda usou dessa nova era para suprir o vazio então nascente, criando comerciais onde tudo era perfeito, fazendo com que as pessoas se sentissem reconfortadas no momento do ‘plim plim’. Hoje em dia a publicidade está mestre nisso, e seus comerciais estão cada vez mais hipnotizando os potenciais consumidores cada vez mais vazios – muito também por causa da individualização do homem nos novos tempos – que necessitam de algo para preencher suas vidas. Não há dúvidas de que esse preenchimento é momentâneo, mas é o pouco que restou ao homem do século XXI que ainda deseja viver num mundo dos sonhos. Quantas pessoas não devem chegar em casa depois de um dia cheio de trabalho, se esparramar no sofá e ligar a TV no Big Brother a fim de se deliciar com aquelas palhaçadas do mundo perfeito da Rede Globo?
Enfim, tudo isso para dizer que a religião, a meu ver, não difere muito do papel da publicidade. No mundo de hoje, onde valores sociais, morais, familiares, éticos etc. estão tão acabados, a religião surge com um potencial tão forte fazendo promessas de que uma vez seguindo essa ou aquela Igreja a pessoa estará salva para sempre e todos os seus problemas acabarão. Quem nunca passou na porta de uma Igreja Universal do Reino de Deus e não se impressionou com tamanha imponência? E as promessas, uma mais atraente do que a outra: “Problemas de coração? Problemas de saúde? Crise familiar? A Igreja Universal é a sua salvação!”. E as pessoas se encantam com essa propaganda toda, achando que o mundo dos sonhos que ela tanto almejou está ali, a um passo da rua, quando na verdade está dentro dela. Conheço algumas pessoas que juraram de pé junto que ao entrar na Igreja a vida delas mudou completamente. Claro, e acredito que isso seja verdade, mas não é a Igreja que lhes proporcionou isso, a Igreja, pelo contrário, tirou dinheiro delas à toa, pois elas poderiam ter resolvido seus problemas sozinhas, afinal para ter fé não é preciso sair de casa!
Ademais, notícias não faltam para chegarmos sozinhos à conclusão de que esses pregadores não estão com nada: rabino roubando gravata nos EUA, ex-gerente de marketing da XEROX fundando Igreja laranja, muçulmanos kamikazes que esperam morrer por Alá e encontrar 41 virgens no paraíso, sem contar os inúmeros escândalos da Igreja Católica ao longo de todos esses anos. E há tempos e tempos atrás Jesus disse: “O Reino de Deus está em vós...E à sua volta... Não em templos de madeira e pedra... Parte um pedaço de madeira e ali estarei...Ergue uma pedra e me encontrarás...”
Escrito por Acácia às 22h00
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
PÁRA DE ME ENCHER!
Sem tempo pra escrever, sem tempo pra pensar, sem tempo pra falar, sem tempo pra respirar... Então posto algo em homenagem a...
Beijos.
"Me larga, não enche Você não entende nada e eu não vou te fazer entender Me encara, de frente É que você nunca quis ver, não vai querer, nem vai ver
Me larga, não enche Me deixa viver, me deixa viver, me deixa viver, me deixa viver
Quadrada, demente A melodia do meu samba põe você no lugar Me larga, não enche Me deixa tentar, me deixa tentar, me deixa tentar, me deixa tentar
Perua, piranha, Minha energia é que mantém você suspensa no ar
Pra rua! se manda, Sai do meu sangue, sanguessuga, que só sabe sugar
Pirata, malandra Me deixa gozar, me deixa gozar, me deixa gozar, me deixa gozar
À-toa, vadia, Começa uma outra história aqui na luz deste dia D: Na boa, na minha, Eu vou viver dez, Eu vou viver cem, Eu vou viver mil, Eu vou viver sem você... "
Escrito por Acácia às 23h06
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
“Jovem tem saudade?” (de Artur da Távola) - Texto Genial (!)
“A juventude de hoje vive um processo inusitado na história: tem saudades daquilo que não conheceu nem viveu mas sabe como foi e curte. Por quê? Em primeiro lugar, porque vive um quotidiano de grande mutação que a nada fixa, consolida ou solidifica. Tudo é provisório, do bem de consumo à moradia e ao casamento. Uma certa necessidade de solidez, pelo menos no é básico da vida, é importante para o jovem. Protege-o. e aquilo que permaneceu a respeito de mudanças é algo sólido, feito de um material que aplaca no jovem o medo inconsciente ou consciente da transitoriedade e provisoriedade que o cercam. Em segundo lugar, porque o jovem tem muito presente o nível de agressão e de ameaça dos tempos atuais. Como quem adivinha caminhos mais seguros e menos ameaçadores, ele procura em temas do passado alguns conteúdos pacificadores hoje distantes. O jovem percebe a existência – em décadas anteriores – de sentimentos, maneiras de ser, formas de expressar, vivências. Ele percebe que eram tempos de menos loucura, doença, agressão, tensão, terror. São, portanto, duas formas de saudades diferentes da saudade tradicional, digamos, aquela que se sente por pessoas músicas, tempos vividos. Há também, contemporaneamente, uma terceira forma de saudade. A que eu chamo de saudade do recente. É a tal rapidez da mudança e a vertiginosidade do processo de transformação que nos atinge, que vivências recentes ficam logo sepultadas pela avalanche de novidades inerentes ao sistema industrial sempre a exigir substituições permanentes de tudo. Assim, o que vivemos recentemente fica parecendo tão distante e longínquo como o vivido há muito, muito tempo. Mesmo uma geração ainda jovem já pode ter essa forma de saudade. Com a rapidez da mudança. De alguns anos pra cá, há mais coisas sepultadas do que o ocorrido, gasto, feito, acontecido, usado, há quatro ou cinco décadas. Haveria uma quarta forma de saudade. Chamo-a a ‘saudade pelo não-vivido’. Há vivências, sofrências, pungências, sentimentos, impulsos, momentos adivinhados, absolutamente reais para nossa sensibilidade, só que jamais vividos na realidade externa. É a saudade do não-vivido, do apenas adivinhado na vastidão mutante e cortada de ventos imaginosos da sensibilidade humana.”
Escrito por Acácia às 12h15
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
...
Existe uma grande confusão entre o que é amor e o que é paixão. É muito comum as pessoas relacionarem esses dois sentimentos como sendo a mesma coisa; no entanto, são dois tipos de sentimentos bem diferentes, ao meu ponto de vista.
Sentir paixão por alguém certamente é delicioso; ter aquela sensação de frio na barriga, sentir aquele calor quando a pessoa chega perto. Muitas pessoas acham que a paixão é um sentimento profundo, entretanto, muito mais profundo e denso, sem dúvida, é o sentimento de amor.
Sentir amor virou banal. A partir da época do movimento hippie, quando foi adotado como lema a frase “faça amor, não faça guerra”, esse sentimento tão terno acabou por ficar intimamente ligado à figura do sexo. A frase melhor adotada seria: “faça sexo, não faça guerra”. A liberdade para amar que aí então se concretizou, na verdade, foi uma liberdade para transar. As pessoas começaram a se iludir, achando que estavam amando ao ter relações sexuais com todo mundo. Isso não é amor; esse tipo de atitude está muito mais ligado a um sentimento egoísta, onde as pessoas estão mais preocupadas em se satisfazer do que satisfazer o outro, afinal transar por transar, fazer sexo apenas por prazer e depois ir embora, não me parece muito bem o significado de amor.
Amor é muito maior do que sexo. Amor significa trocar, significa uma história, gratidão, cumplicidade, preocupação, cuidado, troca de sorrisos, consideração. É tão maior do que a sensação física que o sexo proporciona, que esse prazer vem a ser uma conseqüência.
As pessoas ficaram tão individualistas e tão preocupadas com si mesmas, no mundo moderno em que estamos vivendo, que se esqueceram do que é amar de verdade.
Tem gente que jamais vai aprender a amar porque não tem, ou perdeu, a sensibilidade de olhar para o outro, de perceber os atos do outro. Com certeza que alcançar esse nível de sentimento é difícil, demanda tempo, mas uma vez alcançado, vale ouro.
Os relacionamentos, de uma forma geral, seja amoroso, seja de amizade, seja de pais e filhos, tornaram-se superficiais. Difícil você observar as mesas de bar e ouvir um papo mais profundo, geralmente são conversas superficiais para esquecer dos problemas do dia-a-dia. As pessoas sentem medo de se deixar sentir amor de verdade, de ter sentimentos profundos, medo de se entregar a um relacionamento – no sentido mais amplo dessa palavra - e depois se decepcionar. É um dos traumas dos novos tempos; tempos que trouxeram muitos benefícios, facilitando tanto a vida das pessoas e que como conseqüência trouxe o medo da entrega junto.
É triste isso, a base para a evolução do ser humano é conseguir olhar para o outro, conseguir se relacionar e não lutar para se tornar mais independente. É hipocrisia falar que o ser humano não depende do outro. A grande beleza do ser humano é justamente a arte que ele tem para se relacionar, para trocar. Voltemos à época dos índios!
Escrito por Acácia às 19h46
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
A involução do ser humano
Meu mais novo ídolo é o filósofo britânico John Gray. Sua nova tese confirma tudo aquilo que sempre pensei sobre o ser humano, sempre critiquei, e, pelo que, no entanto, sempre fui criticada.
Gray é um pensador do século XXI, adorado por alguns e criticado por outros, que acredita que a raça humana tem seus dias contados na terra, e que deverá ser extinta assim que ela não tiver mais utilidade para o planeta.
Em busca de progresso, desde que o mundo é mundo, o ser humano se boicota a toda hora que age, achando que está evoluindo. Não restam dúvidas de que o homem evolui quanto a inovações tecnológicas, haja vista países desenvolvidos como os EUA, ou em desenvolvimento como a China. Todavia, esse crescimento brutal não passa senão de um engano. Muito fácil se torna crescer destruindo a natureza, sem aplicar corretamente as legislações trabalhistas necessárias, ignorando acordos e tratados internacionais que visam a cuidar do meio ambiente. O ser humano pode até ser um ótimo inovador, mas o é apenas quanto a certas questões externas a ele, pois o homem jamais evoluiu enquanto ser humano, e muito contribui para o seu próprio fim.
Há muitos anos que existem guerras religiosas, corridas em busca do poder, destruição do meio externo em prol de um progresso e enriquecimento utópicos.
Não é preciso olhar muito para trás, mas quando os portugueses aqui se instalaram, logo começaram a destruição de nossas riquezas em busca do crescimento da política mercantilista que eles então iniciavam. Isso se deu também quando da ocupação espanhola na América Latina, quando da exploração na África que existe até hoje e como ocorre na China atualmente, onde eles próprios se destroem.
Quando falo que temos que começar a agir a partir de nossas pequenas atitudes como não aceitar suborno, não jogar lixo na rua, não sonegar imposto etc., sou taxada de radical; entretanto, penso que só assim caminharemos para um progresso humano propriamente dito. Hoje, depois de algumas leituras e pesquisas, descobri que isso não passa de um pensamento romântico e utópico. Como disse o ilustre filósofo John Gray, todos os países no mundo buscam serem países de primeiro mundo, porém, é impossível todos sermos nações ricas, pois para que haja a noção do rico é preciso que haja a de pobre; dessa forma o progresso humano de uma forma geral se torna inviável e hipócrita. Como podemos querer ser solidários, ajudando o próximo a se desenvolver, através de políticas humanitárias, lutando para uma sociedade menos desigual, se ao mesmo tempo queremos cada vez mais aumentar nossa riqueza?
O homem estraga tudo que ele mesmo cria. Quando algo começa a dar certo e a mostrar bons resultados, logo aparecem outras forças que contribuem para a decadência daquilo que acabara de ser criado. O homem constrói e depois destrói; o homem quer ajudar, mas deseja ser superior; quer ser uno, mas deseja a individualidade; quer uma cidade do futuro, mas sente nostalgia do passado; quer acabar com a pobreza, mas quer aumentar a riqueza; quer melhorar sua condição de vida, mas destrói o seu habitat natural.
É por isso que concordo com a visão, não pessimista, de John Gray, mas realista. Não há saída para o homem senão a de ser expelido da terra por sua própria causa, devido às forças da natureza que em pouco tempo não suportarão mais a convivência conosco, seres humanos.
Escrito por Acácia às 10h50
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|
|
 |
|



|
Meu perfil
BRASIL, Mulher
|
|